
Há exatos 7 dias, lá estávamos nós, na metrópole mor do Brasil, preparados para assistir The Killers e Arctic Monkeys na mesma exata noite. Repetindo 2005, a euforia por ver duas bandas excelentes na mesma noite era demais e por alguns momentos, quase esquecíamos que não tínhamos mais força nos músculos das pernas por estar de pé há 5 horas. Esquecíamos que tínhamos bebido apenas um copo d'agua desde o início da tarde e que pedaços de chocolate eram a única fonte de energia no estômago.
A verdade é que não dá simplesmente pra ficar falando, falando e falando denovo sobre como foi tudo aquilo. Não dá pra falar como que tudo foi bom e que por mais desorganizado que um evento possa ser, na hora de cantar um refrão com mais 20.000 pessoas, tudo parece extremamente muito bom. E tudo faz seu devido sentido. Definitivamente não dá pra falar como foi cada detalhe daquela longa jornada paulista que culminou no raiar do sol de uma segunda-feira, que pra mim durou 5 dias, mas que vai ficar guardada na memória por mais uns 50.
Se falar não adianta muito, nada melhor do que imagens:
Spank Rock: Chegamos ao show. Rap-funk-ska tocando ao fundo num Anhembi ainda vazio. Começo de tarde. A "banda" que lembrava muito um Black Eyed Peas sem a Fergie, fez lá seu show pra parte vip da platéia, arrancou umas palminhas e foi embora, cumprindo seu papel de abertura do festival.
Hot Chip: Com problemas de som, o Hot Chip fez um show tranquilo, dançante e sem exagero algum. A maioria da platéia estava, assim como eu, esperando 'Over and Over' para que os ingleses descessem do palco com missão cumprida. E a missão foi cumprida.
Björk: "Meu Deus". Eu achava essa singela mulher apenas estranha. Depois desse 28 de Outubro ela conseguiu definitivamente me fazer ter ódio de sua pessoa. Não pela música, de forma alguma. Musicalmente falando, continuo sem entender como o público dela consegue digerir o som, mas isso eu tenho que apenas aceitar. Afinal, eu gosto de música que soa linear pra minha cabeça e para os ouvidos. Tem gente que não.
O show em sí foi um espetáculo teatral. Tudo muito bonito, bem produzido. Canhões de luz e lasers coisa e tal. Agora, o fato de usarem duas horas dos outros shows pra DESMONTAR A PARAFERNÁLIA que ela deixou no palco é simplesmente inadmissível. Até chuva de confetes teve alí naquele carnaval. Se na Islândia isso é normal, aqui no Brasil definitivamente não é.
Falando em carnaval, alegorias não faltaram. Olha o carro do Salgueiro em pessoa:
Juliette and The Licks: Juliette Lewis é louca. Ela é definitivamente perturbada ou pelo menos atua muito bem como tal. E isso é muito bom. Entrou colocando banca, roupa de ninja high-tech, pena na cabeça e tudo o que tinha direito. Particularmente achei o show sensacional. Já conhecia o trabalho da moça na companhia dos Licks e ao vivo ela não desapontou. O rockzinho-punk-hardcore-pegajoso soa extremamente divertido ao vivo e a performance exagerada de Juliette dá um toque de classe. Pra quem estava louco pra agitar um pouco depois de 'algumas' horas em pé, "Hot Kiss" foi providencial. Os joelhos agradeceram, Juliette.
Arctic Monkeys: Os Macacos do Ártico estão desde 2005 tocando sem parar em qualquer aparelho que toque MP3 e esteja ao meu redor. Eles surgiram na onda Internet, alavancados ao estrelato pela molecada que começou a compartilhar suas músicas compulsivamente MESES antes deles pensarem em lançar um cd. De lá pra cá, após dois cds lançados e muitos hits com letras pegajosas (que eu prefiro chamar de clássicas), vê-los ao vivo foi o bastante pra gerar aquela sensação de: "Aonde estou mesmo? O que que eu estou fazendo com tanta gente estranha por perto?"
E assim foi o show; atordoador. Os "moleques" entraram, DEBULHARAM em forma de petardos rápidos e muito altos um setlist em nossas cabeças, agradeceram devidamente o carinho do público e foram embora. Foi aquela coisa surreal. Uma música acabava e você já estava no meio do refrão da outra sem nem perceber o que realmente estava acontecendo. Uma semana depois ainda estou digerindo tudo o que aconteceu durante aquela uma hora. O Youtube está me ajudando. (Prefiro nem comentar sobre as músicas que eles não tocaram por conta dos atrasos de nossa mui amiga Björk)
The Killers: Ou, 'A Catarse', como preferir. Eram 4:00h. O público não tinha arredado o pé do Anhembi e já estava impaciente com todos os atrasos, todos os contratempos. A organização ainda demorou bastante até que o palco em formato de jardim (?) fosse montado. Tempos depois, as luzes se apagaram. Todos sabiam que logo tudo estaria acabado, mas que antes, muitos iriam perder a voz cantando 'Smile like you Mean it', 'Mr. Brightside' e todo o resto.

E realmente foi o que aconteceu. Todos perderam a voz. Eram mais de 20 mil. Perderam e saíram de lá aliviados, agraciados por um setlist DESTRUIDOR, que no nosso caso, nos levou de volta à Belo Horizonte. E aqui, a 590 quilômetros de São Paulo, ficamos sempre lembrando com carinho dessa cidade que é sempre muito generosa quando o assunto é simplesmente...
...música!
Este post é dedicado ao Judeu, Ícaro, James, Pri e Penera, que ficaram horas em pé e também perderam a voz.